Porto Velho – Humaitá
Antes de começar a viagem, tivemos um encontro em Porto Velho com toda a equipe do Amazônia das Palavras. Era o momento de rever quem já esteve conosco na primeira etapa, conhecer quem está chegando agora e, claro, alinhar algumas coisas para os próximos dias.

Uma das figuras que reencontramos foi o Pirata. Ele veio de Manaus acompanhado de Maison e Dayrel, que também participaram da primeira etapa. E já chegou com uma história para contar: dessa vez, foi a primeira viagem de avião da vida dele. O curioso é que Pirata está acostumado a viajar de barco. Imagino que, para quem já conhece tão bem os rios, olhar a Amazônia lá de cima seja uma experiência e tanto. Mais uma coisa que o Amazônia das Palavras proporciona às pessoas. Na primeira etapa, a viagem era pelos rios. Agora, até quem sempre viajou de barco está experimentando outros caminhos.
Depois da reunião, fomos almoçar. Foi ali que tive a oportunidade de conhecer melhor Lincoln Rolim, o Palhaço Carlão, que vai acompanhar a expedição e apresentar seu espetáculo circense nas cidades por onde passaremos.
Carlão é daqueles sujeitos que têm sempre uma história na ponta da língua. E, pelo que pude perceber, algumas delas são tão boas que merecem ser contadas mais de uma vez. Em meio aos causos, descobri uma coisa que até então não sabia: existe mercado para apresentações de palhaços em velórios. E Carlão já fez pelo menos seis.
A história do primeiro é especialmente curiosa. Um homem que conhecia o trabalho dele, gostava de suas apresentações e costumava ajudá-lo financeiramente quando o encontrava pelas ruas deixou um pedido: queria que o Palhaço Carlão se apresentasse em seu velório.

Carlão foi contratado, mas não sabia para onde estava indo. Só descobriu quando chegou ao local. Começou a fazer suas brincadeiras, como havia sido combinado, até que se aproximou do caixão e reconheceu o homem. Era justamente aquele sujeito que costumava encontrá-lo na rua e dar uma contribuição generosa pelo seu trabalho.
A reação foi chorar. Não tinha como ser diferente.
Achei interessante conhecer essa história, principalmente porque, até então, eu conhecia o Carlão apenas pela figura do palhaço que vai animar as nossas noites. É bom descobrir um pouco do que existe por trás do personagem. E, pelo repertório que ele apresentou durante o almoço, suspeito que ainda teremos muitos outros causos pela frente. Seis velórios, pelo menos, já garantem um bom começo de conversa.
Depois do almoço, seguimos viagem para Humaitá. Chegamos por volta das seis e meia da tarde, fomos para o hotel, nos acomodamos e depois jantamos. Ainda tivemos tempo para conversar um pouco mais e continuar conhecendo quem vai dividir os próximos dias conosco.
Por enquanto, estamos em Humaitá. Hoje temos um dia mais tranquilo, com alguns trabalhos pontuais e os últimos preparativos para começar a programação amanhã, quando as atividades chegam à primeira escola desta etapa.
Por João Alves – Assessor de Imprensa
Fotos: arquivo Amazônia das Palavras



