Amazônia das Palavras tem abertura marcada pela emoção em Manaus

A emoção marcou a abertura do Amazônia das Palavras na noite de segunda, 05, no CETI Gilberto Mestrinho em Manaus. Com auditório lotado por estudantes, professores e convidados, o primeiro impacto da noite foi o vídeo de abertura: forte, direto e com uma mensagem clara – o homem precisa aprender a ler a Amazônia e seu ambiente, sob pena das gerações futuras serem impactadas pelos erros humanos. Foi possível ouvir o silêncio da plateia como que a refletir com a mensagem.
Nascido do fascínio, do caldeirão de ideias e questionamentos sobre o fazer e pensar a literatura, diante da rica e multicultural referência da língua falada e escrita no Brasil, e, em especial, na Amazônia brasileira, o público cantou e aplaudiu o clipe com a música Amazônia das Palavras, composta e musicada por Arthur Maia, renome no cenário musical brasileiro.
O homenageado do Amazônia das Palavras, o Poeta da Floresta Thiago de Mello, representado por membros de sua família, sua esposa Pollyana Furtado e seu filho Thiago Thiago de Mello, deixou a todos, plateia e produção, totalmente emocionados. Thiago Thiago de Mello recebeu das mãos do professor e escritor José Bessa o Troféu Mapinguari, pelo conjunto de sua obra e de sua luta, através da literatura, em defesa da diversidade da Floresta Amazônica e na exaltação da denúncia contra a opressão humana. Thiago Thiago de Mello presenteou o público com duas músicas, “Deus me deu um pai velho”, de sua autoria em homenagem ao pai Thiago de Mello, e “Faz escuro mas eu Canto”, um dos mais belos poemas do Poeta da Floresta, escrito nos anos de exílio e mais atual do que nunca.

Das mãos dos produtores do Amazônia das Palavras, Fernanda Kopanakis e Jurandir Costa, Pollyana Furtado recebeu a doação do projeto conceitual do “Memorial Esperança Thiago de Mello”, criado pelo artista multimídia Rudney Prado em conjunto com a arquiteta Letizia Esposito. É uma contribuição do Amazônia das Palavras para a implantação de um memorial em defesa da Floresta, com o perfil de Thiago de Mello e seus cabelos representados por árvores dos grandes biomas brasileiros que, juntas, abraçadas pela Floresta Amazônia, alertam para a necessidade da preservação da rica diversidade biológica e cultural brasileira.
E ainda teve mais emoção. O professor Daniel Munduruku, autor de mais de 52 livros para crianças, jovens e educadores e premiado em diversas categorias, entre elas o Prêmio Jabuti em 2017, brindou a todos com a Aula Espetáculo Memórias da Amazônia – “Catando piolhos, contando histórias: minhas memórias da Amazônia”. Com uma perspectiva de contar a história dos índios sob o prisma de dois olhares – o dele, da etnia Munduruku e do homem que viveu na cidade, o professor Munduruku fez a todos uma grande reflexão: que só podemos conhecer a nossa própria história a partir do momento em que nos enxergamos de fora.
Fechando a noite com alegria e risadas, o professor Daniel Gamarra interpretou Cloro: o palhaço que engole letras. O Palhaço Cloro trouxe a sua mala-livro, com os segredos de uma pequena grande mala, cheia de surpresas, alegrias e histórias. Um circo mambembe de um homem só, sua mala livro e a magia da arte circense. O olhar do Palhaço Cloro no universo mágico da literatura, dos livros e das letras.
Em Manaus, as atividades do Amazônia das Palavras foram realizadas no Centro Estadual de Tempo Integral Gilberto Mestrinho (CETI), com a realização de 04 Oficinas Literárias: “Contação de Histórias Indígenas” com José Bessa; “Produção de Contos” com José Roberto Torero; “Sons do Cotidiano” com Bira Lourenço; “Palavra Animada” com Leo Ribeiro, reunindo mais de 200 alunos dos ciclos iniciais e finais do ensino fundamental e do médio, além de alunos do Ensino de Jovens e Adultos.
A equipe do Amazônia das Palavras partiu na manhã desta terça, 06, rumo a cidade de Itacoatiara, onde são aguardados com grande expectativa. O Amazônia das Palavras leva literatura a oito cidades da Amazônia Brasileira, navegando 1.300 Km pelos Rios Negro, Amazonas e Madeira: Manaus (05/11) Itacoatiara (07/11), Nova Olinda do Norte (09/11), Borba (12/11), Novo Aripuanã (14/11), Manicoré (16/11) e Humaitá (19/11) e Porto Velho (21/11).
O Amazônia das Palavras tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal, Ministério da Cultura, Lei Rouanet.
Apoio Cultural: Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas, Prefeitura de Itacoatiara, Prefeitura de Nova Olinda do Norte, Prefeitura de Borba, Prefeitura de Novo Aripuanã, Prefeitura de Manicoré e Prefeitura de Humaitá


