Manaus – Rumo a Coari
A expedição começou ainda pela manhã, pouco antes das 11h, quando deixamos Manaus rumo a Coari, primeiro destino do Amazônia das Palavras – Quarta Edição. Pela frente, cerca de 456 quilômetros pelo Rio Solimões. O barco já segue seu curso, enquanto a sensação de partida ainda permanece, como se o tempo precisasse de algumas horas para entender que a viagem, de fato, começou.
A bordo, somos cerca de 40 pessoas. Oficineiros, coordenação pedagógica, equipe de produção, comunicação, além de quem sustenta o cotidiano com precisão, como a cozinha e a tripualação. Aos poucos, o barco vai se organizando: camarotes ocupados, redes armadas, objetos encontrando seus lugares. Um pequeno mundo flutuante começa a tomar forma.
Entre nós, há quem esteja vivendo a Amazônia pela primeira vez. Olhares atentos, curiosos, absorvendo cada detalhe como descoberta. Outros já carregam a experiência de edições anteriores, e circulam com a familiaridade de quem conhece o ritmo da embarcação, o tempo do rio, a dinâmica da expedição.
Eu, João Alves, que narro este diário, venho da região, mas também estou em estreia. Nunca havia feito uma viagem assim, de barco. Antes de embarcar, ouvi recomendações, alertas, quase um protocolo: remédio para enjoo, cuidado com o balanço, adaptação ao movimento. Por enquanto, sigo firme, sem enjoo, acompanhando o ritmo natural do rio, que, ao que tudo indica, dita o compasso da viagem e de quem se dispõe a segui-lo.
Em um dos primeiros trechos do percurso, surge uma das imagens mais emblemáticas da região: o encontro das águas. De um lado, o rio escuro. Do outro, o barrento. Dois fluxos distintos que correm lado a lado, sem se misturar de imediato. Há algo de profundamente simbólico nessa paisagem. O encontro das águas é sobre coexistência. Sobre reconhecer diferenças, respeitar origens e permitir que cada corrente siga seu curso, compartilhando o mesmo espaço, até que, mais adiante, tudo se integre de forma natural.
Talvez seja exatamente essa a essência do Amazônia das Palavras – Quarta Edição.
A expedição não parte da ideia de levar respostas prontas. Assim como os rios, chegamos com nossas próprias bagagens de conhecimento, experiências e referências. Mas é no encontro com estudantes, educadores e comunidades que esse percurso ganha sentido real. Um encontro entre saberes acadêmicos e saberes da vida, entre a palavra escrita e a palavra vivida, entre quem ensina e quem aprende. Papéis que, inevitavelmente, se atravessam ao longo do caminho.
Que venha Coari!
Ou melhor, vamos até eles.
O Amazônia das Palavras está chegando!
Texto e fotos: João Alves


