Literatura e escrita criativa mobilizam estudantes durante programação do Amazônia das Palavras em Anamã
O município de Anamã recebeu mais uma etapa do Amazônia das Palavras – Quarta Edição, projeto que percorre cidades do interior do Amazonas promovendo oficinas literárias, atividades culturais e ações de incentivo à leitura em escolas públicas. A programação aconteceu na Escola Estadual Tancredo Neves, reunindo estudantes, educadores e comunidade escolar em torno da arte, da literatura e da formação humana.
Localizada às margens do Rio Solimões e com cerca de 10 mil habitantes, Anamã carrega uma forte relação com os rios e com a cultura ribeirinha amazônica. O município, que frequentemente enfrenta os impactos das cheias na região, recebeu a programação do projeto com atividades gratuitas ao longo do dia e programação cultural aberta ao público no período da noite.
Durante a passagem pela cidade, os estudantes participaram de oficinas de produção de textos, slam, música, cinema, moda, animação e literatura. Entre elas, ganhou destaque a oficina “Produção de Textos Literários”, conduzida pelo poeta, cronista, ator e diretor de teatro Dori Carvalho.
O despertar da escrita

Com uma trajetória ligada à poesia, ao teatro e à formação cultural no Amazonas, Dori Carvalho propôs aos estudantes um mergulho na escrita como possibilidade de expressão, criatividade e descoberta pessoal. A oficina trabalhou diferentes formas narrativas, como contos, crônicas, poemas e dramatizações, incentivando os alunos a desenvolverem suas próprias histórias.
Segundo o oficineiro, a proposta vai além do ensino técnico da escrita. “A ideia é despertar, incentivar, estimular que os estudantes possam perceber neles que há potencial, que há talentos, que há criatividade. O que fazemos aqui é plantar uma semente”, afirma.
Ao longo das atividades, os estudantes foram convidados a refletir sobre suas vivências, transformar experiências em narrativas e experimentar diferentes linguagens literárias. Para Dori, o contato com a literatura representa também uma forma de ampliar horizontes em tempos marcados pela velocidade e pelo excesso de estímulos digitais. “Esses alunos, às vezes mais, às vezes menos, não têm muita aproximação com a literatura brasileira e amazônica. Tentamos mostrar a importância da leitura na formação humana, porque os livros abrem novas janelas e possibilidades. É um trabalho silencioso, de formiguinha, mas extremamente necessário”, destaca.
O escritor também ressaltou a importância de levar ações culturais ao interior do estado e estimular novas gerações de leitores e autores. “Quem poderá dizer se dessas cidades não nascerão poetas, romancistas, cronistas? Se de cada turma um estudante despertar para a leitura ou para a escrita, já saímos ganhando”, completa.
Escrita como aproximação
Entre os estudantes, a oficina provocou identificação e aproximação com a produção textual de maneira mais leve e acessível. A estudante Ana Beatriz Silva de Oliveira, de 17 anos, destacou a forma descontraída como a atividade foi conduzida. “Eu gostei muito porque ele mostrou que escrever também pode ser divertido. A turma ficou mais leve, mais envolvida. Às vezes a gente pensa que produção de texto é só obrigação, mas ali foi diferente”, relata.
Para ela, desenvolver a escrita e a leitura segue sendo fundamental também para o futuro profissional e pessoal dos estudantes. “Isso ajuda nas entrevistas, nas faculdades e na forma como a gente se comunica. A escrita desenvolve a nossa fala e a nossa maneira de se expressar”, afirma.
O diretor da Escola Estadual Tancredo Neves, Juscelino Nunes Bastos, destacou o impacto da programação dentro da escola e o envolvimento dos estudantes durante as atividades. “O projeto é de excelência. Além do conhecimento, traz exemplo, interação e novas formas de aprendizagem. Foi uma honra receber toda a equipe aqui em Anamã. A gente percebeu o engajamento dos alunos e acredito que a escola, depois dessa experiência, não será mais a mesma”, afirma.
Além das oficinas realizadas ao longo do dia, o Amazônia das Palavras promoveu programação cultural gratuita aberta à comunidade escolar durante a noite, com apresentações artísticas, exibição audiovisual, homenagens literárias e espetáculo circense com o Palhaço Xuxu.
Percurso continua pelo Amazonas
Após a passagem por Anamã, o projeto segue para os municípios de Manacapuru, Iranduba e Manaus, mantendo a proposta de levar literatura, arte e formação cultural a diferentes regiões do estado.
O Amazônia das Palavras – Quarta Edição é patrocinado pela TAG, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura; apoio da Cigás; promoção da Fundação Rede Amazônica. Realização da Associação Mapinguari, Ministério da Cultura e Governo Federal.


