Homenageada: Maria Firmina dos Reis
Homenageada 2026
Ao homenagear Maria Firmina dos Reis, o projeto Amazônia das Palavras – Quarta Edição, reafirma seu compromisso com uma literatura que transforma, inclui e dá voz a histórias que por muito tempo foram silenciadas. Pioneira ao retratar, com sensibilidade e coragem, a humanidade das pessoas escravizadas em obras como Úrsula, a autora rompe barreiras sociais, raciais e literárias, abrindo caminhos que ainda hoje inspiram leitores e escritores.
Celebrar sua trajetória é reconhecer a força da palavra como instrumento de justiça, memória e liberdade. É também aproximar novas gerações de uma obra fundamental para compreender o Brasil em sua diversidade e complexidade.
Assim, a homenagem se torna mais do que um tributo: é um gesto de continuidade, que conecta passado e presente por meio da leitura e reafirma o papel da literatura na construção de uma sociedade mais consciente e plural
Maria Firmina dos Reis: voz que rompe o silêncio
Muito antes de seu nome ocupar o espaço que hoje lhe é devido na história literária brasileira, Maria Firmina dos Reis já escrevia para libertar. Em um tempo marcado pela escravidão e pelo apagamento de vozes negras, sua obra ergueu palavras como pontes — entre dor e dignidade, entre silêncio e humanidade.
Em Úrsula (1859), considerado o primeiro romance abolicionista escrito por uma mulher no Brasil, sua escrita ecoa com força e sensibilidade:
“A mente, essa ninguém pode escravizar.”
E ainda, com firmeza incontornável:
“O escravo é um homem — não o esqueçais.”
Já no conto A Escrava, a autora reafirma, com clareza e emoção, o valor inegociável da liberdade:
“A liberdade é o bem mais precioso que o homem pode possuir.”
Sua literatura não apenas narra — ela denuncia, humaniza e resiste. Ao colocar pessoas escravizadas no centro de suas histórias, Maria Firmina dos Reis subverteu a lógica de seu tempo e inaugurou uma nova forma de olhar, sentir e escrever o Brasil.
Hoje, sua obra permanece viva como um chamado: ler Maria Firmina é reconhecer que a palavra pode ser instrumento de memória, justiça e transformação.
MARIA FIRMINA DOS REIS

(11 de março de 1822 – 11 de novembro de 1917) foi uma escritora, professora, compositora e pioneira da literatura brasileira. Nascida no Maranhão, é considerada a primeira romancista negra do país. Em 1859, publicou Úrsula, obra inovadora por denunciar a escravidão a partir de uma perspectiva humanizada das pessoas escravizadas.
Além de escritora, atuou como educadora e fundou uma escola mista e gratuita, algo incomum para a época. Sua produção literária, que inclui romances, contos e poemas, foi por muito tempo esquecida, mas hoje é reconhecida como fundamental para a literatura brasileira e para a valorização de vozes negras na história.
Conheça os livros da escritora, faça o donload e boa leitura:
Cantos à beira-mar_Maria Firmina dos Reis
A escrava_ Maria Firmina dos Reis
Maria Firmina dos Reis – Musicista
Maria Firmina dos Reis também teve ligação com a música, embora seja muito mais conhecida como escritora e educadora.
Historiadores registram que a memória popular e depoimentos de pessoas que conviveram com ela lhe atribuem várias composições. Entre elas estão:
Hino à liberdade dos escravos, criado para celebrar a abolição em 1888.
Uma Valsa com versos de Gonçalves Dias musicados por ela.
Valsa Rosinha – Diana Villalobos, a partir de transcrição da partitura.
O “Auto de bumba-meu-boi”, no qual teria escrito letra e música.
O auto natalino “Pastor estrela do oriente”.
Esses registros foram coletados pelo pesquisador Nascimento Morais Filho na década de 1970, a partir de relatos de ex-alunos e pessoas que a conheceram.
O Amazônia das Palavras – Quarta Edição, é um projeto patrocinado pela TAG, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura; Apoio: Cigás, Promoção: Fundação Rede Amazônica. Realização: Associação Mapinguari, Ministério da Cultura e Governo do Brasil – do lado do povo brasileiro.


